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Os livros da Sofia Dias e do Vítor Roriz

Sofia Dias e Vítor Roriz escolheram vários livros que orbitam à volta do espetáculo “Sons Mentirosos”

 

 

Esqueci-me como se chama, de Daniil Harms. Ilustrações de Gonçalo Viana, BRUAÁ

A primeira coisa que fizemos quando começámos a ensaiar foi ler este livro. Gostámos especialmente do carácter absurdo e imprevisível destas breves narrativas de Daniil Harms. Num dos contos, um detalhe torna-se mais importante do que aquilo que parecia ser o essencial, noutro somos surpreendidos por uma mudança brusca e inesperada de direção da história e noutro sentimo-nos quase enganados pelo modo como a história acaba. Este estilo sinuoso de Daniil foi algo que tentámos trazer para a nossa peça mas sem recorrer à palavra.

 

O pássaro da cabeça, de Manuel António Pina. Com imagens de Ilda David’, Assírio e Alvim

Se nos perguntassem sobre o que é a nossa peça, diríamos que é sobre “o pássaro da cabeça”. O pássaro é o animal que o Manuel António Pina escolhe para falar da imaginação. E não há dúvida que há algo na simplicidade de um pássaro a voar que tem muito que ver com a simplicidade de um corpo a imaginar. Na nossa peça também há um pássaro, mas precisamos da vossa imaginação para o fazer voar. E também vamos precisar da vossa imaginação para vermos uma criatura a caminhar à beira de um lago.

 

Oh! Um livro com sons, de Herve Tullet, editorial Presença

Há livros com pilhas e que dão música quando tocas nos círculos ou botões. As pilhas desses livros gastam-se passado muito pouco tempo e em vez de uma melodia, começas a ouvir uns ruídos estranhos que parecem vir de um outro planeta. Um dia haveremos de fazer um concerto com os ruídos desses livros de pilhas gastas. Mas este “Oh! Um livro com sons” dá música sem precisar de pilhas. Aliás, tu é que crias música enquanto carregas nos círculos desenhados nas páginas do livro. É um livro que é como uma partitura musical que pode ser interpretada sem se conhecer notas musicais.

Na nossa peça também temos várias partituras, mas de movimento. Em vez de círculos vermelhos, azuis, oh’s e ah’s temos movimentos e gestos. Tal como nas partituras musicais, também no nosso espetáculo há momentos rápidos e outros mais lentos, há crescendos e diminuendos, cânones e uníssonos. Uma das nossas partituras chama-se “vaivém”: irás perceber imediatamente qual e porquê.

 

Este Livro Está a Chamar-te (Não Ouves?), de Isabel Minhós Martins. Ilustração de Madalena Matoso, Planeta Tangerina

O que gostamos neste livro é o apelo que faz à nossa imaginação e a sua relação com o som. Em alguns momentos tens de imaginar um som que não existe (seria tão interessante encontrarmos as palavras para descrevermos estes sons imaginados) e noutros tens de usar os teus dedos para fazer os sons de um tambor ou da chuva.  Uma pessoa prática diria “isso são só uns dedos a bater na página de um livro”, mas nós, pessoas com pássaros na cabeça, vemos através desses sons aquilo que quisermos. É essa a simplicidade de imaginar que Manuel António Pina fala no seu livro. Com muito pouco imaginamos tudo. É essa a simplicidade que também procuramos ter neste espetáculo.

 

 

Fim? Isto não acaba assim, de Noemi Vola, Planeta Tangerina

Para nós, é sempre muito difícil encontrar o FIM de um espetáculo. Porque enquanto não se põe um FIM parece que podemos continuar a pesquisar e a procurar coisas novas. Mas também porque uma vez encontrado o FIM já não olhamos para o INÍCIO da mesma forma. Isto é, do FIM, o INÍCIO parece sempre diferente, não só porque está longe – e sabemos como as coisas ao longe nos parecem pequenas – mas porque o INÍCIO adquire outro sentido ao sabermos como acaba. Uma confidência: no momento em que escrevemos estas palavras, a alguns dias da ESTREIA, ainda não fazemos ideia de como é que irá acabar o espetáculo, ainda não encontrámos o seu FIM.