Livros espetaculares (mesmo!) para Catabrisa

Sara Amado

Livros espetaculares (mesmo!) para Catabrisa

Livros espetaculares (mesmo!) para Catabrisa

Sopro de vida

Já vi muitas coisas a crescer: meninos, árvores, ventanias, problemas, castelos de areia, personagens, sonhos. Num espectáculo de teatro faz-se muitas vezes magia e é como se passássemos muitas páginas de um livro, avançássemos na história e a personagem estivesse mais velha três anos, trinta páginas e três segundos depois. Neste Catabrisa alguém cresce mesmo à frente dos nossos olhos (seremos nós?). É magia. Alguém descobre o seu corpo, o movimento, os sons. Depois a palavra, o silêncio e a pergunta. O vento também cresce. Empurra para o caminho, para a procura, para o desconhecido, para o silêncio, para a saudade: para crescer. Crescer é tornarmo-nos exatamente quem somos. Mas, para sabermos quem somos, temos de crescer. Parece confuso e, no meio dessa procura, parecemos um cata-vento confuso entre a brisa e o vendaval, a aragem e o furacão. E, entretanto, temos de descobrir que chapéu é o certo para nos tornarmos finalmente a nossa própria personagem.

 

Catavento

Este livro é o pai deste espetáculo, nasceu primeiro. O Catabrisa veio do Catavento. Falam das mesmas coisas de maneiras diferentes, mostram de maneiras diferentes as mesmas coisas. Num, abre-se a capa; no outro, a cortina. Num, lêem-se as palavras; no outro, ouvem-se. Vais ler (ou ver): são mesmo muito diferentes!

 

Quando eu nasci

Primeiro de tudo, temos de nascer. Um bebé nasce e descobre-se a si e ao mundo. Antes de nascer, não vemos nada, só o escuro da barriga da mãe. Quando vimos ao mundo, abrimos os olhos e descobrimos, devagar, o sabor e o cheiro, o toque e o som. Consegues imaginar como terá sido tudo isto da primeira vez?

 

O tempo do gigante

Depois é preciso crescer. E, para crescer, é preciso tempo, tempo, tempo. Às vezes, parece que o tempo demora a passar e que não acontece nada. E, quando olhamos para trás, percebemos que afinal há muitas diferenças — muitas delas em nós próprios. E está-se bem assim.

 

Querer muito

Crescer é querer mais, é querer tudo! Diz-se que o homem é um ser insatisfeito, que quer sempre mais, que quer sempre o que não tem.
Mas será que podemos querer tudo? Não será tudo demais? Não teremos já mesmo em frente aos nossos olhos tudo o que afinal queríamos?

 

Andar por aí

Depois de saber o que se quer, é preciso ir procurá-lo, é preciso sair do sofá e andar por aí. Andar no mundo e aprender a crescer nele. Chamar os outros, brincar com eles e pensar com os nossos botões. O mundo tem coisas muito grandes e muito pequeninas realmente extraordinárias. Já olhaste bem para a escultura que as formigas fizeram no chão? Que desenho fez hoje o sol a bater nas folhas? E os teus pés, que terra nova pisaram hoje?

 

O chapeleiro e o vento

Cada um ponha o chapéu que lhe servir. Até se diz “enfiar a carapuça”. Há chapéus para todas as cabeças porque somos mesmo todos diferentes. Só que, muitas vezes, não sabemos bem quem somos e quando estamos a crescer isso acontece quase todos os dias… O nosso chapéu, aquele mesmo certo para a nossa personagem, pode ser mesmo esquisito, mas será sempre perfeito porque é o nosso.

 

O regresso

Regressar pode ser o contrário de crescer. Imagina: um dia, depois de muito tempo, regressas a casa da tua Avó e tudo está igual, só que muito pequenino! E, às vezes, isso pode acontecer só com um cheiro. Ou um som. Ou um sabor. Se cheiramos ou ouvimos ou saboreamos alguma coisa até podemos viajar! Sabes o que é a saudade?

 

A casa que voou

Nesta procura de quem somos, nessa tarefa de crescer, estamos muitas vezes perdidos e perdemos coisas muitas vezes. Só que também estamos muitas vezes enganados. É que aquilo que perdemos ou aquilo que procuramos pode estar no sítio em que menos o imaginávamos ou mesmo debaixo no nosso nariz.

 

Fotografia: LU.CA/Alípio Padilha