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Livros espetaculares (mesmo!) para Bianca Branca e Ciclo Racismo

Sara Amado

Bianca gosta de tudo branco. Gosta de tudo branco porque ela é branca e branco é tudo o que conhece e deseja. É mais fácil gostar do que conhecemos, do que percebemos logo, do que não nos pode assustar. Mas olha à tua volta e repara como somos todos tão diferentes e como isso é bom. Já imaginaste um mundo de pessoas iguais a ti? Não seria tão divertido jogar à apanhada: correrias exatamente o mesmo que tu próprio. Não acharias graça às anedotas: já saberias a piada antes de chegar ao fim. Enfim, nunca serias surpreendido. A riqueza do mundo vem da sua diversidade e da constante surpresa. E como nos apanham de surpresa, a Bianca do livro e a Bianca Branca do palco! Para o livro Bianca, para o espetáculo Bianca Branca que nasceu dele, e também para o Ciclo sobre Racismo — uma coisa muito feia que só interessa saber que existe para que possas combatê-la —, escolhi uma panóplia de livros. Uns que nos falam da coragem na mudança, outros da riqueza na diferença, outros ainda da surpresa na descoberta do outro.

 

Bianca

Bianca quer dizer Branca, em italiano. É também o nome desta menina que adora tudo o que é branco. Aliás, só gosta do que é branco: o seu vestido, os seus sapatos, o seu computador, a sua bicicleta. É feliz assim, parece, num mundo imaculado e sem surpresas. E se o mundo se virar ao contrário, não encontrará ela uma alegria ainda maior?

 

Todos fazemos tudo

Todos podemos ser tudo o que quisermos. Meninos e meninas, homens e mulheres, novos e velhos. Quem disse que as meninas brincam às bonecas e os meninos aos carrinhos? Quem disse que a mãe cozinha e o pai conduz? Este livro tem as páginas cortadas a meio para que possas ser tu, ao virá-las, a dizer quem faz o quê. Quando fores lá para fora, para o mundo, não te esqueças de que é mesmo assim: nem todos fazemos tudo, mas que devíamos poder fazer – isso sem dúvida!

 

Pequeno Azul e Pequeno Amarelo

Já experimentaste misturar duas cores? Já viste como, dessa mistura, nasce uma cor nova? Pois bem, foi isso que aconteceu quando estes dois pequenos deram um abraço. Essa amizade transformou-os de tal maneira que nem a própria família os reconheceu. Mas, muitas vezes, são os mais pequenos que ensinam coisas importantes aos mais velhos. Como nesta história de encantar.

 

As mulheres e os homens

Desde pequenos que somos educados de maneira diferente, meninas e meninos. Se pensares bem, quando os bebés são pequeninos, não há grande diferença entre o que conseguem ou gostam de fazer, sejam de que sexo forem. Mas depois vão sendo empurrados para serem isto ou fazerem aquilo ou gostarem de aqueloutro, porque é «de menino» ou porque é «de menina». E é verdade que há diferenças, mas somos todos muito mais parecidos do que diferentes. E isso é importante que nunca ninguém se esqueça.

 

Elmer

A diferença não só é boa como é necessária. Que o digam os elefantes cinzentos que, não fosse Elmer, o elefante colorido, teriam uma vida cinzentona e sem graça. Se todos temos os mesmo direitos, também é verdade que temos o direito à diferença. Porque cada um de nós tem um papel importante neste grande espectáculo que é a vida.

 

 

Popville

Já deves ter ouvido adultos comentarem, normalmente tristes, como aquela paisagem mudou, como «antes é que era bom». Mas, acredita, nem tudo era melhor antes. E se é verdade que os Homens fazem muitas asneiras no modo como tratam o planeta e o resto da natureza — porque o Homem também é natureza —, também é verdade que constroem coisas magníficas. É muito bonito como, neste espetáculo, o chão do teatro parece a página branca de um livro que, ao ser virada, revela uma surpresa. Já viste que este Popville também funciona assim? E não é tão bonito o mundo em construção?

 

O homem de água

Dizem que o nosso corpo é 70% água. Isso é muito! Mas, mesmo assim, é difícil imaginar alguém a andar por aí mesmo feito de água. Seria estranho, talvez. Assustador, até. Incómodo, no mínimo. É assim, este Homem de água. Mas, depois de um tempo de estranheza — porque o diferente, às vezes, é assustador —, todos percebem que a diferença deste Homem é uma grande coisa. E, depois de andar um pouco perdido, também este Homem encontrou o seu lugar. Há lugar para todos!

 

O estranho

Talvez já tenhas sido o único miúdo de óculos ou a menina nova na escola ou o único com cabelo grande quando todos o usam curto ou vice-versa. É muito desconfortável sentirmo-nos estranhos ao olhar dos outros. Neste reino apareceu alguém diferente, O estranho, e foi mesmo difícil para aquele povo perceber que é muito melhor tentar conhecer as diferenças do outro do que partir para a guerra. Muitas vezes, esta começa por causa dos preconceitos (coisas irritantes como mosquitos) que normalmente esvoaçam à volta de pessoas ignorantes — que são aquelas que não sabem, nem querem saber. Esta é uma história para nunca te esqueceres disso.

 

Um dia de neve

A neve é branca e Pedro é negro. Claro que não é negro-negro, como a neve não é branca-branca. Mas este é o primeiro menino de raça negra a aparecer num livro para crianças e foi publicado pela primeira vez há 56 anos, nos Estados Unidos da América. Se pensares bem, é mesmo estranho que, até aí, nenhuma criança de raça negra se tenha revisto num livro. É verdade que a cor da pele não é mesmo nada importante, mas também é verdade que, se todos somos diferentes, é muito estranho que os livros não tenham aventuras com personagens como nós.