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Dança

Dentro do Coração

Márcia Lança e Ana Madureira
26 e 27 de junho e 3 e 4 de julho
Ilustração de Gonçalo Antunes de uma mulher de saia abraçada a uma chita.

Informações técnicas

Famílias 11H30 e 16H30
Classificação etária M/3
Público alvo +3
Duração 30 min.
Preço Famílias €3 < 18 anos
€7 > 18 anos
Descontos aplicáveis;

Dentro do coração mora um imaginário variado e complexo. Um dia a minha filha de três anos perguntou-me: “Mãe, o que é que há dentro do coração?”.

O coração é uma carne dura, não facilmente ferida. Em dureza, tensão, força geral e resistência a ferimentos, as fibras do coração superam todas as outras, pois nenhum outro instrumento realiza um trabalho tão contínuo e árduo.

 

Cláudio Galeno séc. II d.C.

 

Dentro do coração mora um imaginário variado e complexo. Um dia a minha filha de três anos perguntou-me: “Mãe, o que é que há dentro do coração?”. Passei os dois dias seguintes a tentar formular uma resposta, não queria dizer-lhe apenas: “Elisa, o coração é um músculo! Um músculo que bombeia sangue para todo o corpo e que dentro tem quatro válvulas que regulam a passagem do sangue entre as suas cavidades. Existe uma válvula entre cada aurícula e ventrículo e uma válvula à saída de cada ventrículo. As válvulas entre as aurículas e os ventrículos são denominadas válvulas auriculoventriculares. E é isto, é isto que há dentro do coração.”

 

Os meus lábios tremiam ao imaginar a cara dela ao ouvir esta resposta, uma expressão de desilusão profunda cobrir-lhe-ia o rosto. Tinha de ser mais complexo, parecia-me uma resposta demasiado simples, reduzir o coração a uma parte do corpo, um músculo, que coisa mais sem graça. E o amor? A poesia? O sofrimento? A dor? Essas coisas também estão dentro do coração, não estão? Ao fim do segundo dia tentando formular uma resposta, a única coisa que consegui foi acoplar mais perguntas, reflexões e questões à pergunta que ela me tinha feito:

 

– Então e o Cupido? As suas setas provocavam ferimentos que despertavam amor ou paixão nas suas vítimas. Era no coração que se cravavam essas setas. Depois de enviado, por Vénus sua mãe a Psique, para que esta se apaixonasse pelo mais horrendo de todos os homens, acabou por se ferir a si próprio apaixonando-se loucamente por Psique.

 

– E a Branca de Neve a quem um caçador teria que tirar o coração como prova de morte da donzela mais bela de todo o reino? Não conseguiu, em vez do dela levou à rainha um coração de porco.

 

– E o coração roubado, oferecido, comido, pedido, ferido, emprestado, prometido, dado, partido ao meio ou em bocados? É só um músculo que bombeia sangue? Como raio é que um músculo deu azo a tantas histórias de amor, de vingança, de inveja e ciúme tórrido, de dor, angústia e desejo?

 

Informações artísticas

Direção Artística Márcia Lança
Cocriação e Performance Ana Madureira
Apoio Dramatúrgico Carolina Campos
Desenho de luz Daniel Worm
Direção Técnica Santiago Tricot 
Cenário Rita Carmo 
Música Vahan Kerovpyan
Figurino Ainhoa Vidal
Direção de Produção Lysandra Domingues
Direção de Produção de Estreia Daniela Ribeiro
Produção Executiva de Estreia Liliana Baroni
Produção VAGAR – Associação Cultural
Co-produção Comédias do Minho, LUCA – Teatro Luís de Camões
Apoio à Criação Companhia Olga Roriz, Estúdios Victor Córdon, Largo Residencias, Polo Cultural Gaivotas, | BOAVISTA ~ Apoio FIEQUIMETAL / CGTP-IN

Agradecimentos Alex Cassal, Ana Rita Teodoro, António Lança, Aram e Virginia Kerovpyan, Bárbara Falcão, Blaise Powell, Cátia Santos, Daniela Ribeiro, Família Madureira Milhero, Félix Magalhães, Elisa e Guiomar, Gabriela Salhe, Gonçalo, Helena e Maria Nvart, Jaime Mears, Joana Pessoa, Jorge Rodrigues, Liliana Baroni, Luzia Vital, Manuel Martins, Miguel Mendes, Natália Neto, Nuno Lucas, Pedro Fabião e Samuel, Tasso Adamopoulos